sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Alergia a burocracia

Tenho 2 filhos com alergia a Lactose. Sempre que possível tento me manter informada sobre o assunto pra poder atender melhor a eles. Lendo um publicação hoje descobri que o mercado já tão diminuto para este tipo de produto tende a decrescer. Isso por conta da burocracia da Anvisa que não consegue perceber que intolerantes a lactose hoje não são um nincho de mercado, mas sim uma fatia considerável de consumidores. Segundo o Procon é nosso direito ter informado em rótulos propriedades e detalhes especiais dos alimentos.  Os alimentos sem lactose são considerados alimentos especiais de dieta especial, que recebe um outro tipo de tratamento pela Anvisa. Outros alimentos que não se encaixam nessa descrição mas são isentos de lactose seja pelo processo  de feitura, ou pelo uso de determinados ingredientes, não podem exibir em seus rótulos a especificação sem lactose por não estarem enquadrados nas características de alimentos especiais, reduzindo assim o já diminuto mercado Sem lactose. A Anvisa alega que este tipo de informação está implícita nos rótulos, e quem se interessar irá lê-los. Bem você já tentou ler o rótulo de uma bolacha mabel por exemplo? Sem Lupa é uma tarefa pra coelho!!! A questão é que uma pequena mudança na legislação poderia ampliar as opções para o mercado dos alérgicos e poderia abrir as portas para novos produtos serem consumidos. Isso tudo por conta de uma burocracia que como sempre, só atrasa quem quer fazer a coisa certa.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Canto da primavera




Olá! passando hoje só pra  avisar que as inscrições para as oficinas do canto da primavera já estão abertas e vão até dia 20 de outubro. Maiores informações : http://www.secult.go.gov.br/post/ver/146719/confira-aqui-a-relacao-das-oficinas-e-curriculo-dos-oficineiros-do-canto-da-primavera

São 20 vagas para cada oficina e é gratuito ! Aproveite!


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Educação do Século XXI

Sempre fui uma aluna  mais mediana que boa. Sempre achei a escola um lugar cacete, sem espaço pra fazer coisas que realmente interessavam. Muito tardiamente descobri que não era Hiperativa e sim uma Criança Indigo. Já em 1980, a escola não abarcava o tipo de personalidade que eu tinha e hoje, com a quantidade de Crianças indigo só aumentando, a escola não tem conseguido (ainda) resolver esse problema.  Pra quem não sabe, a criança índigo é caracterizada por uma multipla inteligência acima da média, inquietação, rápido aprendizado e da mesma forma desisteresse rápido. Questionadora, não aceita um simples não como resposta e se ja sabe falar argumenta com tudo.  As escolas em sua maioria, não estão preparadas para lidar com isso.
Um Grupo internacional chamado GELP , reuniu-se tentando encontrar uma educação ideal para o século XXI. Na matéria que li sobre o assunto, uma frase me chamaou a atenção. Um aluno canadense dizia que a escola o despoderava. Achei isso fantástico. De fato era como me sentia. A escola tirava meu poder de decidir, questionar, errar e tentar novamente. A escola não me deu nos meus anos escolares o poder de argumentar e contrargumentar os autores e teses apresentadas. A escola não me ensinou a pensar! Dai quando cheguei a faculdade eu  era obrigada a pensar? Que contrasenso! 12 anos de adestramento pra ser cobrado no final em algo que não poderia dar!
A matéria sobre o assunto pode ser vista nesse link: http://ponto.outraspalavras.net/2012/10/02/escola/.
Para minha grata surpresa Goias é um dos 3 representantes brasileiros no grupo ao lado de São Paulo e Rio. Espero que isso seja um indício de mudança e conscientização do poder público da necessidade URGENTE de pensar um novo modelo escolar, se quisermos ter algum tipo de futuro para a escola.

sábado, 29 de setembro de 2012

Acidentes acontecem

Em meus quase 40 anos, sempre ouvi essa frase: " Acidentes acontecem". Sempre fiquei pensando no que realmente vem a ser um acidente.  Em sua maioria são produzidos por descaso, falta de atenção, falta de prevenção, burlamento de leis e ordens.
Então porque acidentes acontecem? Creio ser uma parte mínima fruto da fatalidade. A grande maioria ocorre por nossa própria falta de bom senso, ou pela falta de bom senso de terceiros, mais preocupados com ganhos extras que com o bem estar social.
Quantos de nós ja não perderam ou quase perderam entes queridos nos famigerados acidentes de trânsito. Conversando com um diretor técnico do DETRAN- GO, essa semana, ouvi ele falar algo extremamente pertinente. Se as pessoas seguissem minimamente a lei, 50% dos acidentes fatais não aconteceriam.
Voltamos a Questão: Acidentes acontecem?????
A alguns meses aqui em Goiânia tivemos um acidente com 2 crianças em um berçário. Uma delas faleceu infelizmente. Descaso ou um momento de bobeira? As crianças não cavaram o acidente, elas simplesmente fizeram o que crianças fazem e nós adultos temos que prever. Uma questão óbvia : crianças são curiosas e exploram os espaços aonde estão. Crianças não podem ficar sozinhas, ainda mais quando se trabalha com crianças de outras pessoas. Foi um infeliz acidente? Não. Acidente seria se todas as medidas de segurança tivessem sido tomadas e ainda assim a fatalidade ocorresse. Mas na maioria dos casos os chamados acidentes ocorrem por culpa de alguém. Que na maioria das vezes está errado.
Precisamos fazer nossa parte. Se cada um faz o todo acaba recebendo o benefício. O tal jeitinho brasileiro é vergonhoso e custa caro, principalmente quando se trata de vidas.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Quero falar um pouco hoje sobre um assunto interessante: Adoção. Fiz uma matéria para a rádio, onde algumas dúvidas foram esclarecidas. A mãe que não quer criar o filho por exemplo, tem opções legais para que a criança possa ser encaminhada. Lembrando que a entrega de uma criança para a adoção não é crime.  Mas o abandono e o assassinato são.
 Mães que deixam filhos recém nascidos em sacolas, sacos de lixo, dentro de privadas acabam sofrendo além do trauma de abandonar a criança, as penas legais. Claro que no momento em que a criança nasce, deve acontecer uma turbulência emocional muito grande. O acolhimento dessas mães no período da gestação é muito importante, para prepará-las para esse rompimento. Claro, ninguem quer ver mãe longe de filho. Mas não dá pra estar na mente dessas pessoas. Em sua maioria extremamente conturbada. Qual será sua reação?
No caso das crianças maiores que são abandonadas, a relação criança- familia, deve ser analisada . A justiça sempre presa pela manutenção da criança na familia original. No entanto, pais e mães adotivos, estão tão intensos no desejo de adotar, de trazer para seu convívio esse novo ser que precisa de carinho, identidade, referência, que deveriam ser olhados com mais carinho pela justiça. O bem da criança deveria ser o principal item de direcionamento. Ficar com alguem que claramente não lhe quer, não pode ser muito saudável.
Acho a adoção no Brasil ainda é  muito complicada. Bucrocrática, como em várias outras coisas que aqui acontencem. Mas no enfrentamento dessa burocracia, a sociedade civil tem se unido em ONGs voltadas a auxiliar pais que querem trilhar o caminho da adoção. Vera Cardoso, é responsável pela ONG Grupo de Estudos e Apoio a Adoção em Goiânia, e diz que nas suas reuniões quinzenais a troca de idéias, o aconchego e as histórias dos filhos, preenchem o tempo e ajudam a superar as dificuldades e as grandes dúvidas que surgem. Como por exemplo, o que dizer quando vai matricular o filho na escola? É relevante dizer que ele é adotado? 

Bem meus parabéns aos AMOROSOS pais que resolvem adotar. Nossa infância carente agradece.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Percepção da Imagem virtual

Para perceber algo, fazemos uso de nossos sentidos. Quanto mais sabemos utiliza-los, mais a percepção age em nosso favor. Acabei de terminar uma monografia de especialização falando justamente em como podemos perceber a imagem virtual. A principio achei que os mesmos elementos utilizados na percepção da imagem luz, poderia ser utilizado na imagem virtual. Nesse estudo , acabei observando que não funcionava bem assim. Perceber está ligado a estimular determinados sentidos de forma a interagir com a fisiologia do olho e resultar num quadro que define aquela imagem para quem vê. A imagem virtual requer muito mais de um processo de leitura do que da definição de elementos como cor, forma e movimento.

Descobri um estudo feito pelos companheiros lusitanos sobre a Literância Visual, que foi bem esclarecedor. Depois vou postar um texto mais completo sobre esse estudo que achei muito bom e acabou mudando completamente meu foco de interesse sobre a percepção da imagem virtual.

Retorno

Novamente após um longo inverso tento retomar este blog.  Vamos ver no que vai dar...

Retorno

Novamente após um longo inverso tento retomar este blog.  Vamos ver no que vai dar...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Fractais ou tempera...




A pintura quatrocentista regida por conceitos de simetria de funcionalidade era conhecida pela imagem calculada, arquitetada,

conceitualizada e construída. Primando pela objetividade, a imagem renascentista fugia da subjetividade humana e respondia bem a investigação científica e ao uso de “máquinas”.

A era digital, marca o retorno dessa imagem objetiva, que tende ao desejo renascentista da imagem puramente conceitual, já que os algorítimos de visualização permitem a construção de universos abstratos puramente matemáticos. No entanto a imagem sintética ainda sofre com a

utopia do total controle do visível, obsessão dos renascentistas. O realismo praticado por essa imagem é fruto da lógica matemática e não da percepção do mundo real. Ainda mais calcula das, coerentes e formalizadas que as imagens renascentistas, as imagens digitais ganham um certo realismo que de alguma forma dá continuidade ao princípio do registro fotográfico. De certa forma, os algoritimos de visualização permitem restituir sob forma visível e perceptível as abstrações matemáticas, ao mesmo tempo que descrevem numericamente as imagens.


Segundo Baudrillard (1992) é a imagem que tem se tornado cada vez mais virtual e distante do real. Não se opondo a ele, mas aos ideais de verdade que existem. A imagem hoje é nada mais que uma forma de controle do tempo, pois o “real”, sempre vai sofrer alterações a partir de uma nova leitura, seja ela feita através de uma nova tecnologia ou de um novo pensamento. Nesse caso nem a realidade factual estaria preservada por causa da maleabilidade do processo de digitalização.


Segundo Arlindo Machado (2001;p.15) “ o artista da era das máquinas é, como o homem de ciência, um inventor de formas e procedimentos; ele recoloca, permanentemente em causa as formas fixas, as finalidades programadas , a utilização rotineira, para que o padrão esteja sempre em questionamento e as finalidades sob suspeita.” Acredita-se que a moderna produção tecnicamente mediada, pode interferir diretamente nas formas de percepção da imagem, sendo ela cada vez mais ágil e mais facilitada em sua execução. No entanto o feitio da obra artística, ou melhor do duplo da imagem, ainda continua subordinado aos vários aspectos da percepção que o ser humano – alvo da obra –deve ter. A máquina realiza o trabalho, mas cabe ao artista o trabalho intelectual e a atividade imaginativa e ao público a identificação da obra.

O aspecto abordado aqui refere-se a todo esse entendimento de como o Moderno é subvertido pelo pós-moderno e como este age no processo de criação e percepção do mundo. Para Touraine (1999; 17) “ A modernidade não é mais pura mudança, sucessão de acontecimentos, ela é difusão dos produtos da atividade racional, científica, tecnológica e administrativa.”



Eleanor Hertney (2002; 6) completa afirmando que “o pós modernismo ... é inconcebível sem o modernismo. Pode ser entendido com

o reação aos ideais do moderno...” . Podendo ser apontado como ícone da pós-modernidade, a imagem sintética, rege-se justamente pela simulação do mundo e não sua apresentação racional ou científica. Sua formação, possível pela revolução tecnológica, subverte a ordem da realidade e do palpável, como afirma Baudrillard (1991; 8) “a simulação de um território, de um ser referencial, de uma substância. É a geração pelos modelos de um real sem origem nem realidade : Hiper-real.”


BAUDRILLARD, Jean. A Transparência do mal: ensaio sobre os fenômenos extremos. Jean Baudrillard; tradução: Estela dos Santos Abreu. 2ª edição, Papirus, Campinas, SP, 1992.

------------------------------. Simulacros e Simulação. Jean Baudrillard; Trad. Maria João da Costa Pereira. Relógio D’água, Lisboa, PO

ARNHEIM, Rudolf . Arte e Percepção Visual: Uma psicologia da Visão criadora. Trad. Ivonne Terezinha de Faria. Livraria Pioneira editora, SP, 1996

MACHADO, Arlindo. Máquina e Imaginário: O desafio das poéticas tecnológicas. 3º Ed. Editora da Universidade de São Paulo, SP, 2001.

HEARTNEY, ELEANOR . Pós-Modernismo. Trad. Ana Luiza Dantas Borges. Cosac & Naif, SP, 2002

TOURAINE, Alain . Crítica da Modernidade. 6ª Edição. Vozes, Petrópolis,RJ.

imagens dos artistas: Phyil dune, Jonathan Wong e Uzeyr

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Lugares para rir e a domesticação do riso

Tanto Lipovetsky quanto Minois acreditam que o riso começa a morrer no final do século XX e dá seu último suspiro no século XXI. Banalizado, sabe-se que os lugares para rir firmados no século XVIII e XIX, já não existem mais. Todo lugar agora é de Rir. Para esses pensadores, a sociedade transformou-se num emaranhado de “gracinhas”, longe da agressividade escarnecedora do século retrasado, e mais próxima de uma política de boa vizinhança. O sério tornou-se antipático para uma sociedade que vive de propagandas. Toda seriedade deve viver um pouco do ébrio, do delicadamente cool1.


Paradoxalmente, é com a sociedade humorística que na realidade começa a fase de liquidação do riso: pela primeira vez funciona um dispositivo que consegue dissolver pro

gressivamente a propensão para o riso (LIPOVETSKY, 1983, p. 135). Minois (2005) afirma que “o riso moderno existe para mascarar a perda de sentido” (p. 632). De fato, se no início do século XX, a sociedade se tornou um emaranhado de espetáculos, e se esses eram os espaços reservados ao riso comedido da burguesia, para onde foi mandado ou escondido o riso popular? Tanto Minois quanto Lipovetsky, parecem pessimistas com relação aos caminhos do riso na pós-modernidade. No entanto, parece que a todo o tempo em seus escritos referem-se à sociedade de massa. E quanto àqueles que, vivendo fora do grande circuito, ainda riem-se dos trocadilhos, das relações do corpo, do Outro?


A sociedade do espetáculo de Guy Debord era, no princípio do século XX, a grande arma para a necessária descontração e distração, para a escalada do capitalismo. Nela, o riso embutido fazia parte do sonho, do imaginário. A imaginação era enriquecida e assim produzia risos suficientes para aquietar os corações dos civilizados. Mas havia aqueles também que ainda estavam distantes dos grandes espetáculos e que, por conta dos medias, acabavam sendo alvos.


Falamos aqui do rádio e do cinema, que atingiam diversas camadas de populações, perdidas num país de dimensão continental. Para Debord, o espetáculo “unifica e

explica uma grande diversidade de fenômenos aparentes” (Kellner apud Debord, 2004, p. 5). Para estes que estavam tão distantes do grande centro, era preciso improvisar. O Jeitinho próprio do brasileiro acabava por fornecer opções criativas em cima do que existia. Eram criadas paródias, anedotas, contos, cordéis, causos, e se não “tinham ouvido na rádia”, “foi um cumpadre que foi pro sul que disse”. Mesmo dentro da dita civilização, havia ainda os caracterizados como jeca, roceiro, pobretão. E eram esses tipos “marginais” que faziam sucesso no cômico. Ainda hoje são personagens tidos como grotescos que levam ao riso, ao mesmo tempo em que se contrapõem às regras. Haveria um ar subversivo em Jeca Tatu2, Macunaíma3 ou o primo Pobre4? Aqueles que parecem à margem do sistema, são vistos como contraventores, mas de uma contravenção sob medida. Os heróis de hoje são diferenciados. Como afirma Lipovetsky:


As personagens burlescas, heróicas ou melodramáticas fizeram seu tempo, hoje é o

estilo aberto, desenvolto e humorístico que se impõe... o novo her

ói não se leva a

sério, dramatiza o real e caracteriza-se por uma atitude maliciosamente desprendida

ante os acontecimentos... não há entrada para ninguém que se leve à sério, ninguém

é sedutor se não for simpático (LIPOVETSKY, 1983, p. 132).

Mas os lugares para rir não se definem apenas em espaços físicos. A moda, os comics, as gírias também se transformam em espaços (simbólicos) que abrem alas para a manifestação do cômico como modo de vida ou de enxergar a vida. As gírias, cada vez mais minimalistas, têm um ar debochado. Quanto mais solto, mais cômico, maior a simpatia que atraem. Os quadrinhos e a moda são outro termômetro gigante dessa sociedade banalmente risonha. Como afirma Lipovetsky:


Hoje a moda pertence ao desleixado, ao descontraído. O novo deve parecer usado e

o estudado espontâneo. A moda mais sofisticada imita e parodia o natural, também

aqui em paralelo com a descriação das instituições e costumes pós-modernos

(LIPOVETSKI, 1983, p. 143).

Nos quadrinhos, vemos heróis cada vez mais atrapalhados, palhaços ou levemente cafajestes, o que dão a eles um ar cômico. Tempos atrás, havia um fórum da Man’s Health5 que falava sobre a preferência das mulheres por homens que as fazem rir. Nisso percebemos porque aumentou tanto o público feminino para quadrinho. Os heróis ficaram mais atraen

tes porque são simpáticos. Da mesma forma, um homem é mais atraente quando é simpático, engraçadinho. No Século passado, a figura de James Dean, com sua cara amarrada, fazia bater os corações femininos. Agora parece que o Homem Aranha, com suas tiradas satíricas, disputa lugar com o Frekazoide e Adam Sandler (há quem o ache um ch

arme!). Eles são sensíveis, atrapalhados, carentes, mas na hora do vamos ver são pura testosterona. De fato, o riso parece estar por toda parte. Sendo assim, a ideia de um lugar para rir parece ultrapassada. E mais ultrapassado ficou o próprio riso, que se perdeu nessa eterna propaganda de margarina. Se antes ele podia subverter a ordem vigente, agora assimilado e dominado, ele ainda pode fazer algo? Talvez devêssemos resgatar o sério para poder salvar o riso da extinção em função do excessivo uso pela Mídia.

1Cool é uma expressão muito usada por Gilles Lipovetsky para identificar a sociedade Light que busca no cômico uma forma de aceitação leve.

2Personagem criado pelo escritor Monteiro Lobato e incorporado ao cinema por Mazzaropi.

3Personagem criado por Mário de Andrade e levado ao cinema por Joaquim Pedro de Andrade e ao teatro por Antunes filho.

4Personagem vivido por Brandão Filho no quadro Primo Pobre e Primo Rico do programa Balança mas não cai.

5Revista da Editora abril direcionada ao público masculino na linha das revistas femininas.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A Beleza fotografica em Jodi Cobb

Sempre fui uma grande admiradora do trabalho de Jodi Cobb. O empréstimo de seu olhar para a National Geográfic é sem dúvida um dos mais sensíveis e perscrutadores que particularmente já pude visualizar. Dona de inúmeros trabalhos, principalmente no campo étnico, Jodi explora espaços visuais que num primeiro momento parecem cenas comuns daquele cotidiano, mas que revelam uma intimidade longe de conseguirmos participar sem um prévio conhecimento. Suas buscas pelo oriente renderam-lhe pequenas invasões a espaços culturais fechados como os das mulheres árabes ou das Gueixas.


Hoje trazendo 3 fotos, gostaria de tentar analisar uma colocação de Philippe Dubois em seu livro O Ato fotográfico, quando ele levanta uma das grandes lebres do estudo da imagem: A Arte é ou tornou-se fotográfica? Em Jodi Cobb talvez possamos encontrar uma resposta , pelo menos creio, seja interessante porque nos três momentos fotográficos que apresento aqui, temos um objeto de arte de fato na imagem fotografada, porque trata-se da arte que impregna o próprio ser humano.


Essa primeira foto poderia ser um retrato normal do cotidiano se não fosse o tremendo contraste poético que a cerca. A mulher coberta pelo véu, revela uma sensualidade enigmática expressa pelos olhos que pouco aparecem e pela curva sinuosa de seu quadril. Em contraste com sua vestimenta de um negro profundo, temos um dia ensolarado onde duas meninas vivem uma liberdade colorida expressa em suas roupas e na sua brincadeira de balanço. A mulher parece recortada de uma outra realidade e pregada ali contra aquele fundo amarelo da areia. Ela percebe a presença da câmera, mas não se rende a ela. Ao contrário encara-a. A composição bem distribuída preenche todo o enquadramento . Mesmo que a figura da mulher tente nossos olhos para fixar sua imagem, o movimento da segunda menina reequilibra o quadro. Uma obra de arte equilibrada, se assim podemos dizer.



A foto de uma mulher etíope, volta a trazer o grande contraste de cores, que é uma das marcas de Jodi. O negro profundo da pele e do véu destacam com grande força os adereços coloridos. A foto em plano médio deixa um ar direcional a sua esquerda que não interfere na composição, pelo contrário só vem equilibrá-la já que quase toda a informação visual se encontra no lado oposto. Mesmo que o cenho da jovem mulher esteja pesado, a alegria contrastante de seus adereços nos leva a pensar a razão pela qual decidiu então usa-los. Ela encara a câmera de uma forma sutil mas firme e seu

olhar é tão penetrante que quase nos esquecemos da criança que está no seu colo escondida sob o véu em segundo plano.


Aqui temos uma jovem gueixa em seu ritual de pintura e preparação. Um momento artístico de concentração e técnica, flagrado pela lente de Jodi. A boca vermelha e arredondada como um coração ou uma maçã, torna-se convidativa e sedutora, deixando de lado o restante do conjunto. A mão contrasta com o rosto que lembra a porcelana e mostra a realidade por trás dos sonhos vendidos por essas mestras do entretenimento, não há uma real perfeição no mundo real. O vermelho vivo da boca destaca-se por conta de um fundo esverdeado. O close revela também as imperfeições do rosto que tenta vender uma pretensa perfeição. O traço é preciso e uniforme como deve ser a arte japonesa das Gueixas. Um mundo secreto que pode ter o luxo de ser analisado somente com o auxílio das lentes fotográficas que o cercam por sua sutileza e mistério.


Diante dessas imagens, voltamos a questão de Dubois. Se não existisse o ato fotográfico e esses momentos fosse apenas eternizados nas mentes de uns poucos privilegiados, o mundo talvez não pudesse compartilhar um momento da mais pura arte, em toda a sua trama perecível e efêmera. No entanto o ato fotográfico a resgata, e resgata dentro de uma particularidade que é o olhar do artista que fotografa, que talvez não fosse nem de perto o real desejo da obra, mas é o que nos deixa de herança visual. O momento do click é o “start” decisório que captura e regulariza presente, passado e futuro dos observadores que somos nós apreciadores da arte. A Beleza artística em Jodi Cobb portanto nasce arte pelo seu olhar perscrutador e torna-se fotográfica na concretização desse olhar através da captura do momento da imagem.


Minéia Gomes

Radialista/Jornalista/Fotografa

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Altos e Baixos


Da minha última postagem até hoje... ( Já tem um tempo) tive que passar por alguns altos e baixos. Cirurgias, Marido na UTI, incertezas pessoais enfim. Uma gangorra emocional. Tempo para refletir sobre alguns tópicos. Tenho muito coisa parada, ou ainda a ser feita e fico pensando no sem número de pessoas que estão na mesma situação. Engraçado como observando bem, as coisas parecem bem pequenas quando passam...
De qualquer forma tenho que tomar um rumo diferenciado e fico imaginando quie rumo será esse... Reflexões que podem realmente mudar uma vida, ou podem não fazer diferença alguma, um mero pensamento que passou. Observo os noticiários e me parecem uma série de repetições.. mais do mesmo... onde devemos nos encaixar então se tudo parece um repeteco sem fim?
Escrevi esse poema pensando nisso e tentando achar uma reposta...


Se subo fico tonta
não há nada de correto em querer galgar o penhasco sem cordões
Mas a vida nos impele ao impossivel, ao improvável
e quando fechamos os olhos e os ouvidos ao tal bom senso
talvez até façamos maravilhas...

Se desço fico cega
Não posso chegar além do fundo do poço
e de lá dizem só posso olhar para cima
Mas onde é em cima?

Se subo me satisfaço
porque tudo que acredito e que acho precioso
só pode estar nos céus.
Não pode existir na ravina ou no precipício.

Se desço desconeto de mim mesma
porque nunca me vi num pote de margarina
me vejo no vidro de perfume no alto da prateleira
nunca guardada na geladeira ou no freezer.

Então porque não estou no meio?
porque mesmo que eu pense querer ainda não encontrei em mim equilibrio para manter os pratos alinhados.

terça-feira, 2 de março de 2010

O tempo passa, Não passa?











Depois de quase um ano sem escrever, retorno a este blog como uma forma de tentar me disciplinar. Talvez dê certo talvez não, mas será mais uma tentativa. Nesse perido que fiquei ausente, engravidei, ganhei um filhotinho chamado Yan, frequentei hospitais mais do que eu gostaria e vi amigos queridos passarem por apuros.

Hoje mesmo vi no jornal uma noticia por demais triste. Morreu o Palhaço Palito, o Mauricinho. Era um cara bacana e a primeira coisa que me veio a cabeça foi que a perda de um palhaço se equivale a perda de uma fada. Com o agravante de que se batermos palmas ele não voltará. Vítima da violência urbana, Mauricio que nem era marginal, morreu com 6 facadas. Não bastava uma. Foram 6 que era pra garantir o defunto. 

Quando penso na simplicidade de Palito, no seu trabalho como educador e " alegrador", penso que o mundo deveria respeitar mais os palhaços. Uma tristeza se abadeu sobre mim nesse dia chuvoso. Parece que também o céu chora a ausencia desse artista. Um ponto a menos para a cultura, um a mais pra bandidagem. Espero que nem palhaços, nem pais de familia ou mesmo crianças como a minha, seja vítimas desse desapego a vida que envolve a nossa sociedade.

Espero poder ensinar ao meu filho recém nascido a respeitar a vida e a amar os palhaços. 

ADEUS PALITO!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Perguntas Existenciais


Sempre me pergunto porque o ser humano tem perguntas que nunca esquece, principalmente porque talvez nunca irá encontrar uma resposta que seja realmente aceitável. Quem é deus?, Porque jovens morrem? O que é felicidade?
Nós seres extremamente rebelados contra o tal destino, buscamos avidamente uma resposta racional, ao que a meu ver, a razão não abarca.
Por sugestão de um professor assisiti na segunda um filme de Mike Leigh, um cineasta que gosta de discutir o cotidiano ( mais um humano revoltado). Até então era desconhecido pra mim, porque fora Sir Alfred Joseph Hitchcock, nunca tive muita empatia com cineastas ingleses. E aparentemente mantenho a opinião.

Simplemente Feliz, é um filme, meio água com açucar que tem poucos pontos altos. A discussão batida do que venha ser felicidade torna o filme massante ( veja bem eu achei, tem gente que conseguiu até fazer reflexão de vida com ele). Poppy a persoagem principal vivida pela atriz Sally Hawckins é uma trintona com complexo de peter pan que faz uns péssimos trocadilhos na intenção de dizer que está sempre muito bem humorada. Inevitavelmente não pude deixar de lembrar da música do Oswaldo Montenegro que diz: " Ah todo chato é bonzinho, não como evitar, todo chato é calminho, como se faltasse sal... Ah todo chato te conta aonde passou o natal e sempre te dá uma dica de onde ir no carnaval" . O Filme é uma sequência sem graça de diálogos-monólogos ( é isso mesmo, parece que sempre os personagens estão falando consigo ) onde a melhor cena é a dela com o mendigo. Cena fantástica, talvez uma das poucas que fez o filme assistível. Quase não há falas, mas no silencio dos personagens e na repetição do diálogo há uma circularidade na comunicação onde ambos se entendem e nós que vemos o filme entendemos mais ainda.
Li em uma crítica que o tema proposto por Leigh é claro e límpido. Não acho. Pra mim ele usa uma lente idiossincrática muito forte na construção de Poppy. Ele diz ainda em outra entrevista que Poppy é um espirito livre , e a pergunta é livre de que? Que concepção de liberdade é essa? Porque ela está fora dos tais padrões ela é livre? E a prisão que ela constroi ao redor de si, ao criar um mundo a parte onde ela nega pra si a realidade presente em seu cotidiano. Poppy apenas se eximiu de lidar com suas próprias limitações enquanto ser humano. Não há equilíbrio em Poppy, portanto ela apenas é o espelho dos outros personagens com quem ela é comparada.

O Filme creio, não deveria tratar de felicidade mais sim de percepção do outro. Talvez a única coisa interessante na mal vestida Poppy, seja o fantástico senso do outro que ela tem. E penso que ser for para discutir a tal pergunta filosófica : O que é Felicidade? Então creio que devia-se partir dessa percepção do outro que Leigh apresenta. Nem imagino se essa era a real intenção dele (só vendo outro filme pra saber), mas buscar na existência do outro o entendimento da própria felicidade, creio, seja o melhor caminho. Impossivel entender felicidade cultivando o egoismo e o orgulho. Assim nossa garotona do filme quando deixa de lado seu mundo de flores de papel, talvez enxergue bem o que é ser feliz e nós espectadores também.

domingo, 5 de abril de 2009

Flores Negras

















Queria que minha boca se abrisse

E derramasse coisas do coração

Tal cascata de flora límpida

A refletir meus desejos e sentimentos por ti

A pena transcreve a torrente emocional que

Invade o pequeno peito

E sobrepuja à pobre boca calada

Que ameaçada pela cabeça, superego repressor

Bloqueia

Falo dos cantos dos pássaros e auroras que ouço e vejo

De uma bela tarde de primavera de uma vida passada



Do peito a respirar compassado eu e tu

Entregues ao amor que agora amado

Num silêncio de prece

Entrega-se um ao outro sem medo

Apenas suspiros de corações apaixonados

Que exalam, inspiram, expiram...

E o olhar doce , que não esconde mentiras

Ou o beijo que sela as palavras da alma

Que por milhas, anos, milênios o segue

E expia , e ama.

Velozes sentimentos que recaem em nós

No momento de olhares cruzados

De lembranças de outrora

E agora ali no momento presente

Face a face

O beijo terno sela e perde-se no tempo

E novamente, mesmo diante da espera

O reencontro que se produz

É de beleza eterna.

E a ti entrego o amor que me aquece

Amar, a cada um como se único fosse

Como flores negras , exóticas, suaves e místicas

Flores que encobrem o corpo

Que perpetuam o beijo

Posto que naquele momento

O grande desejo

É que um minuto eterno fosse.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Rir ...


Depois de mais de um mês sem postar, estou de volta.

Atualmente minha atenção tem se voltado a questão do riso. Procurei por vários objetos de estudo ligado ao riso e ainda assim, fico na dúvida, se por acaso estou no caminho correto.
De qualquer forma deixo logo abaixo um pequeno poema reflexivo sobre o assunto.







A Risada

São estardalhaços feitos
que deformam a cara ja horrenda
Estão presentes no cotidiano,
cheiram a suor, a terra, sacodem todo o corpo
numa convulsão bizarra.
O alívio que vem logo em seguida, dá-nos a idéia do deleite pós sexo.
Substituiria ele então?
Será que é melhor rir do que trepar?

Porque não fazer de ambos o prêmio máximo do dia.
Talvez eu entenda as prostitutas populares agora.
Talvez as pombas giras e ciganas dos terreiros
estajam nos dando esse recado.
A risada que mais parece o roçar de ferros num escatológico desatre de carros, também é a derradeira mensagem da felicidade popular.
Pobres eruditos, nunca aprenderam a rir. Estão presos em seu sexo bem comportado, ou em sua careta séria.
Quando não aguentam descem aos guetos escuros, transformam-se em ratos e buscam os prazeres da rua na noite escura.
Pobres ratos, que infeliz comparação!

Então aqui só posso terminar de uma forma.
deformando o rosto, numa gaitada estrondosa de pilhéria contra o que é formal e padrão.
BlogBlogs.Com.Br

domingo, 1 de março de 2009

Esquecimentos cotidianos






Havia me esquecido de escovar os dentes. Era ja tarde da noite. Quando percebi isso e percebi também que ao longo do dia esqueci milhões de coisas. Hiperbolismos à parte, colocando na balança são muitas as coisas esquecidas. Meu companheiro me perguntou se lembrava de um assunto. Esqueci. Esqueci de comprar o leite quando fui compra-lo na mercearia. Esqueci de orar pelos mortos no acidente de carro de ontem. Esqueci de pensar sobre a educação brasileira. Esqueci de comprar gengibre na feira. Esqueci de dar tchau para minha mãe que foi viajar.Esqueci do que comi no cafe da manhã e da aula de espanhol da semana passada.
Me perguntei então do que lembrei e porque me lembrei dessas coisas e não de outras. Não pude obter uma resposta satisfatória. Talvez a tenha esquecido também....

domingo, 25 de janeiro de 2009




Reflexões sobre Cultura
The Show Must Go on

Estamos rodeados pelo espetáculo. Como se não bastassem as grandes produções de TV e cinema, a vida cotidiana tornou-se um show vendável. “ O show da vida”, ganha vigor e cores com tratamento digital nas mesas de corte, nas cotas dos patrocinadores, nas páginas de jornais que religiosamente nos sabatinam com “ Fato e Fotos” bastando “dar uma espiadinha”. Vivemos a semiótica do neomundo onde o consumo é extremo e o uso descartável. As culturas a bem da verdade quase não são mais apreciadas. Na não tão nova lógica da antropofagia moderna, ela torna-se prato de glutão. Comemos, mas não digerimos. Não há tempo para reflexão, o que é engolido é regurgitado. No final das contas não há mesmo é tempo.
Segundo Douglas Kellner (2001:9), “ as narrativas e as imagens veiculadas pela mídia fornecem os símbolos, os mitos e os recursos que ajudam a constituir sua cultura comum para a maioria dos indivíduos em muitas regiões do mundo de hoje”. O Obi combinado com o jeans surrado e o sapato Prada podem cair bem. Comemos Kibe no fast food e ouvimos gaitas de folie no show de gothic metal de uma banda alemã.
Criamos símbolos e mitos que duram semanas se alimentados pela mídia. Quando naturalmente não seriam nada. Em busca de um consumidor que tem sua marca, a industria cultural se apropria de tudo e incentiva o individualismo. Qualquer coisa pode estar no auge. Trata-se no fundo de uma pedagogia cultural que vem nos ensinando como melhor consumir este modelo que se mostra ilusoriamente democrático.
Teorias e mais teorias são criadas para tentar socorrer os débeis náufragos desse extenso mar que é o “caldo da cultura”. No entanto a teoria pós-estruturalista de Derrida, Deleuze, Lyotend e outros, deu-nos a luz para o fato de que qualquer teoria trata-se apenas de um novo constructo que se em alguns casos responde a uns, cala a outros, a semelhança de bichos que perdem-se se retirados de seu território marcado.
“ A cultura é como a vida . Sua tendência é crescer, desenvolver-se proliferar “ (Lúcia Santaella, 2003:29). A cultura da mídia tende a valorizar o indivíduo que particularmente não vejo como assassino da cultura, mas sim as discussões sociais que ele recusa a participar. Ás vezes temos o pressentimento de um mundo totalmente controlado, a realidade da matrix de Gibbson. As opções são muitas mas não há interação. É como estar numa festa solitária com uma mesa farta de possibilidades , mas não há com quem comentar. Onde estão as novidades? As misturas talvez não sejam possíveis. “ A infelicidade dos consumidores deriva do excesso e não da falta de escolha” ( Bauman, 2001:75)
Narciso é o novo guru do século. A sociedade vive a era dos espelhos e a cultura é dirigida pelos pavões. Existe produção cultural de qualidade? Evidentemente, para quem olha além do espelho. Pra quem visita “ a outra margem do rio “ pode-se revelar o “underground” ou o “underworld”, ou mesmo o periférico.
Do outro lado do Stige, a marginalia sobrevive até que o bicho capital o cace ou o convide a jantar. O homem observa o mundo de acordo com uma ótica particular. A cultura é a lente com a qual ele efetua esta observação. Lentes diferentes produzem diferenciadas imagens. Este individuo participa de forma identificada em sua cultura, mas ele entende sua própria identidade? Ao deixar de olhar pra si e ver o,outro, ele será capaz de reconhecer a totalidade da expressão de seu par.
O espetáculo tem que continuar. Hoje o corpo está plugado, Masamune Shirow que o diga! Logo o espetáculo estará em nós. Não algo a parte, mas dentro de nossas mentes. Um espetáculo individual. E onde estará a cultura? Será um mix de um tanto de coisas que no final virão um mingau que não se identifica de onde vem? Ainda não fomos homogeneizados, mas não queremos virar o rosto para olhar os lados.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Algumas coisas sobre as imagens




















A pintura quatrocentista regida por conceitos de simetria de funcionalidade era conhecida pela imagem calculada, arquitetada, conceptualizada e construída. Primando pela objetividade, a imagem renascentista fugia da subjetividade humana e respondia bem a investigação científica e ao uso de “máquinas”.
A era digital, marca o retorno dessa imagem objetiva, que tende ao desejo renascentista da imagem puramente conceitual, já que os algorítimos de visualização permitem a construção de universos abstratos puramente matemáticos. No entanto a imagem sintética ainda sofre com a utopia do total controle do visível, obsessão dos renascentistas. O realismo praticado por essa imagem é fruto da lógica matemática e não da percepção do mundo real. Ainda mais calculadas, coerentes e formalizadas que as imagens renascentistas, as imagens digitais ganham um certo realismo que de alguma forma dá continuidade ao princípio do registro fotográfico. De certa forma, os algoritimos de visualização permitem restituir sob forma visível e perceptível as abstrações matemáticas, ao mesmo tempo que descrevem numericamente as imagens.
Segundo Baudrillard (1992) é a imagem que tem se tornado cada vez mais virtual e distante do real. Não se opondo a ele, mas aos ideais de verdade que existem. A imagem hoje é nada mais que uma forma de controle do tempo, pois o “real”, sempre vai sofrer alterações a partir de uma nova leitura, seja ela feita através de uma nova tecnologia ou de um novo pensamento. Nesse caso nem a realidade factual estaria preservada por causa da maleabilidade do processo de digitalização.
Segundo Arlindo Machado (2001;p.15) “ o artista da era das máquinas é, como o homem de ciência, um inventor de formas e procedimentos; ele recoloca, permanentemente em causa as formas fixas, as finalidades programadas , a utilização rotineira, para que o padrão esteja sempre em questionamento e as finalidades sob suspeita.” Acredita-se que a moderna produção tecnicamente mediada, pode interferir diretamente nas formas de percepção da imagem, sendo ela cada vez mais ágil e mais facilitada em sua execução. No entanto o feitio da obra artística, ou melhor do duplo da imagem, ainda continua subordinado aos vários aspectos da percepção que o ser humano – alvo da obra – deve ter. A máquina realiza o trabalho, mas cabe ao artista o trabalho intelectual e a atividade imaginativa e ao público a identificação da obra.
O aspecto abordado aqui refere-se a todo esse entendimento de como o Moderno é subvertido pelo pós-moderno e como este age no processo de criação e percepção do mundo. Para Touraine (1999; 17) “ A modernidade não é mais pura mudança, sucessão de acontecimentos, ela é difusão dos produtos da atividade racional, científica, tecnológica e administrativa.” Eleanor Hertney (2002; 6) completa afirmando que “o pós modernismo ... é inconcebível sem o modernismo. Pode ser entendido como reação aos ideais do moderno...” . Podendo ser apontado como ícone da pós-modernidade, a imagem sintética, rege-se justamente pela simulação do mundo e não sua apresentação racional ou científica. Sua formação, possível pela revolução tecnológica, subverte a ordem da realidade e do palpável, como afirma Baudrillard (1991; 8) “a simulação de um território, de um ser referencial, de uma substância. É a geração pelos modelos de um real sem origem nem realidade : Hiper-real.”